O Etarismo e as experiências de jovens trabalhadores sobre o conteúdo e a forma do aprendizado com seus gestores

Autores

  • Amanda Oliveira Universidade Presbiteriana Mackenzie Autor/in
  • Igor Bussad Silva Universidade Presbiteriana Mackenzie Autor/in
  • Tamires dos Anjos Universidade Presbiteriana Mackenzie Autor/in
  • Vitória Rozzetti Matheus Universidade Presbiteriana Mackenzie Autor/in
  • Darcy Mitiko Mori Hanashiro Universidade Presbiteriana Mackenzie Autor/in

DOI:

https://doi.org/10.67144/READS.v1.n2.2026.8xr1nk43

Palavras-chave:

Etarismo; Estereótipo; Trabalhador mais velho; Aprendizagem; Trabalhador mais jovem.

Resumo

Nas últimas décadas, o envelhecimento da sociedade tem se configurado como um fenômeno mundial, tornando o etarismo no ambiente organizacional um tema relevante de pesquisa. Com o envelhecimento da força de trabalho, a aprendizagem e as diferenças geracionais passaram a representar desafios para as empresas. Apesar do crescimento do interesse pelo tema, a aprendizagem entre gerações no ambiente de trabalho ainda constitui um campo recente e pouco explorado na literatura. Diante dessa lacuna, o objetivo geral deste estudo é compreender como a percepção do etarismo pode trazer implicações no conteúdo e na forma com que os trabalhadores mais jovens aprendem com seus gestores acima de 35 anos. Realizou-se uma pesquisa qualitativa baseada em 13 entrevistas em profundidade com trabalhadores jovens, atuantes em empresas de diferentes setores e cargos. A análise dos dados foi conduzida com base nas seis etapas propostas por Creswell (2009), a partir das quais emergiram categorias relacionadas a estereótipos etários, preconceito e discriminação, bem como aos conteúdos, formas e preferências de aprendizagem dos jovens. Os resultados indicam que o etarismo interferiu parcialmente no conteúdo e na forma da aprendizagem, uma vez que estereótipos positivos e negativos associados ao trabalhador mais velho influenciaram o processo de aprendizagem na relação entre jovens trabalhadores e seus gestores. Conclui-se que a compreensão dessas percepções pode contribuir para o desenvolvimento de práticas de aprendizagem intergeracional mais eficazes no ambiente organizacional.

Biografia do Autor

  • Amanda Oliveira , Universidade Presbiteriana Mackenzie

    Graduação em Administração de Empresas

     

  • Igor Bussad Silva , Universidade Presbiteriana Mackenzie

    Graduação em Administração de Empresas

  • Tamires dos Anjos , Universidade Presbiteriana Mackenzie

    Graduação em Administração de Empresas

  • Vitória Rozzetti Matheus , Universidade Presbiteriana Mackenzie

    Graduação em Administração de Empresas

  • Darcy Mitiko Mori Hanashiro, Universidade Presbiteriana Mackenzie

    Profa. Dra. Em Administração de Empresas. Professora do Programa de Pós-Graduação em Administração de Empresas da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

     

     

Referências

Adams, S. J. (2004). Age discrimination legislation and the employment of older workers. Labour Economics, 11(2), 219-241. https://doi.org/10.1016/j.labeco.2003.06.001

Antonello, C. S., & Godoy, A. S. (2010). A encruzilhada da aprendizagem organizacional: uma visão multiparadigmática. Revista de Administração Contemporânea, 14, 310-332. https://doi.org/10.1590/S1415-65552010000200008

Aronson, E., Wilson, T. D., & Akert, R. M. (2002). Preconceito: causas e curas. In E. Aronson, T. D. Wilson, & R. M. Akert (Eds.), Psicologia social (3rd ed., pp. 291–322). LTC.

Butler, R. N. (1969). Age-ism: Another form of bigotry. The gerontologist, 9(4_Part_1), 243-246.

Butler, R. N. (1980). Ageism: A foreword. Journal of social issues, 36(2). https://doi.org/10.1111/j.1540-4560.1980.tb02018.x

Butler, R. N. (1989). Dispelling Ageism: The Cross-Cutting Intervention. The ANNALS of the American Academy of Political and Social Science, 503(1), 138-147. https://doi.org/10.1177/0002716289503001011

Creswell, J. W. (2009). Research design: Qualitative, quantitative, and mixed methods approaches (3rd ed.). Sage Publications.

da Silva, R. A., & Helal, D. H. (2019). Ageismo nas organizações: questões para debate. Revista de Administração IMED, 9(1), 187-197. DOI: https://doi.org/10.18256/2237-7956.2019.v9i1.3167

Eraut, M. (2004). Informal learning in the workplace. Studies in continuing education, 26(2), 247-273. https://doi.org/10.1080/158037042000225245

Fineman, S. (2011). Organizing age. Oxford University Press.

Fiske, S. T. (1998). Stereotyping, prejudice, and discrimination. In D. T. Gilbert, S. T. Fiske, & G. Lindzey (Eds.), The handbook of social psychology (4th ed., Vol. 2, pp. 357–411). McGraw-Hill.

França, L. H. D. F. P., Siqueira-Brito, A. D. R., Valentini, F., Vasques-Menezes, I., & Torres, C. V. (2017). Ageism in the organizational context-the perception of Brazilian workers. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, 20, 762-772. https://doi.org/10.1590/1981-22562017020.170052

Fuller, A., & Unwin, L. (2004). Young people as teachers and learners in the workplace: Challenging the novice–expert dichotomy. International journal of training and development, 8(1), 32-42. https://doi.org/10.1111/j.1360-3736.2004.00194.x

Godoy, A. S. (1995). Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Administração de Empresas, 35, 57-63. www.scielo.br/j/rae/a/wf9CgwXVjpLFVgpwNkCgnnC/?format=pdf&lang=pt

Goldani, A. M. (2010). Desafios do" preconceito etário" no Brasil. Educação & Sociedade, 31, 411-434. https://doi.org/10.1590/S0101-73302010000200007

Gregory, R. F. (2001). Age discrimination in the American workplace: Old at a young age. Rutgers University Press.

Hanashiro, D. M. M., & Pereira, M. F. M. W. M. (2020). O etarismo no local de trabalho: evidências de práticas de “saneamento” de trabalhadores mais velhos. Revista Gestão Organizacional, 13(2), 188-206. https://doi.org/10.22277/rgo.v13i2.5032

Hanashiro, D. M. M., Silva, P. T. M., Batista, W. F. G., & Cunha, J. S. N. (2020). Aprendizagem intergeracional em grupos de trabalho multigeracionais: Desafios provenientes de estereótipos etários. In Anais do XLIV Encontro da ANPAD (EnANPAD 2020). Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD). https://arquivo.anpad.org.br/abrir_pdf.php?e=MjkwOTQ=

Helal, D. H., Nóbrega, C. V., & Lima, T. A. P. (2017). Reflexões sobre a aposentadoria: Perspectivas e desafios para os trabalhadores e para a gestão de pessoas. In Anais do Encontro de Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho (EnGPR 2017). Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (ANPAD). https://arquivo.anpad.org.br/eventos.php?cod_evento=&cod_evento_edicao=88&cod _edicao_subsecao=1425&cod_edicao_trabalho=22351

Idrees, M. D., Hafeez, M., & Kim, J. Y. (2017). Workers’ age and the impact of psychological factors on the perception of safety at construction sites. Sustainability, 9(5), 745.https://doi.org/10.3390/su9050745

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2018). Projeções da população do Brasil e Unidades da Federação por sexo e idade: 2018–2060. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9109-projecao-da-populacao.html

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2019). Síntese de indicadores sociais: Uma análise das condições de vida da população brasileira. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9221-sintese-de-indicadores-sociais.html

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. (2020). Tábuas completas de mortalidade para o Brasil – 2019. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9126-tabuas-completas-de-mortalidade.html

Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada . (2014). Desafios do desenvolvimento. https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&view=article&id=3086&catid=28&Itemid=39

Iversen, T. N., Larsen, L., & Solem, P. E. (2009). A conceptual analysis of ageism. Nordic Psychology, 61(3), 4-22. https://doi.org/10.1027/1901-2276.61.3.4

James, J. B., Swanberg, J. E., & McKechnie, S. P. (2007). Generational differences in perceptions of older workers' capabilities. Center on Aging & Work/Workplace Flexibility at Boston College. https://globalag.igc.org/elderrights/us/2007/olderworkers.pdf

Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. (2003). Dispõe sobre o Estatuto da Pessoa Idosa e dá outras providências. Presidência da República. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm

Lima, M. E. O., & Pereira, M. E. (2004). Estereótipos, preconceito e discriminação: perspectivas teóricas e metodológicas. EDUFBA. http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32112

Macdonald, J. L., & Levy, S. R. (2016). Ageism in the workplace: The role of psychosocial factors in predicting job satisfaction, commitment, and engagement. Journal of Social Issues, 72(1), 169-190. https://doi.org/10.1111/josi.12161

Maurer, T. J., Wrenn, K. A., & Weiss, E. M. (2003). Toward understanding and managing stereotypical beliefs about older workers’ ability and desire for learning and development. In Research in personnel and human resources management (pp. 253-285). Emerald Group Publishing Limited. https://doi.org/10.1016/S0742-7301(03)22006-5

McDowell, L. (2010). Generational preferences for knowledge transfer. Knowledge Work, 3(2), 83-96. https://eclipse.rutgers.edu/wp-content/uploads/sites/30/2014/04/KWFull.pdf#page=94

Meireles, V. C., Matsuda, L. M., Coimbra, J. Â. H., & Mathias, T. A. D. F. (2007). Características dos idosos em área de abrangência do Programa Saúde da Família na região noroeste do Paraná: contribuições para a gestão do cuidado em enfermagem. Saúde e Sociedade, 16, 69-80. https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2007.v16n1/69-80/pt

Naegele, L., De Tavernier, W., & Hess, M. (2018). Work environment and the origin of ageism. In Contemporary perspectives on ageism (pp. 73-90). Cham: Springer International Publishing. https://doi.org/10.1007/978-3-319-73820-8_5

Nelson, T. D. (Ed.). (2002). Ageism: Stereotyping and prejudice against older persons. MIT press.

Organização Mundial da Saúde. (2015). Relatório mundial de envelhecimento e saúde. Organização Mundial da Saúde. https://iris.who.int/server/api/core/bitstreams/75f41a4e-3c88-420f-b51e-485f6c01d765/content

Palmore, E. B. (1999). Ageism: Negative and positive (Vol. 219). Springer Publishing Company.

Patrício, M. R. V. (2014). Aprendizagem intergeracional com tecnologias de informação e comunicação (Tese de doutorado). Universidade do Minho. https://repositorium.uminho.pt/server/api/core/bitstreams/f67cd1d5-1eac-4eed-a152-d2ad348d4736/content

Patrício, M. R., & Osório, A. (2015). Inclusão digital com aprendizagem intergeracional. In Atas da IX Conferência Internacional de TIC na Educação - Challenges, (pp. 795-809.) https://www.researchgate.net/publication/305730368

Pereira, M. F. M. W. M. (2014). Um estudo sobre o etarismo nas organizações (Dissertação de mestrado). Universidade Presbiteriana Mackenzie. http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/23452

Pitt-Catsouphes, M., & Smyer, M. A. (2005). Businesses: How are they preparing for the aging workforce? Center on Aging & Work/Workplace Flexibility, Boston College. https://ur.bc.edu/system/files/2025-04/bc-ir100165.pdf

Pitt-Catsouphes, M., & Smyer, M. A. (2006). How old are today’s older workers. The center aging & work/Workplace Flexibility, Boston College. http://hdl.handle.net/2345/3528

Posthuma, R. A., & Campion, M. A. (2009). Age stereotypes in the workplace: Common stereotypes, moderators, and future research directions. Journal of management, 35(1), 158-188. https://doi.org/10.1177/0149206308318617

Ropes, D. (2013). Intergenerational learning in organizations. European Journal of Training and Development, 37(8), 713-727. https://doi.org/10.1108/EJTD-11-2012-0081

Tonelli, M. J., Lins, J. L., & Aranha Filho, F. J. E. (2013). Envelhecimento da força de trabalho no Brasil. PricewaterhouseCoopers Brasil. https://www.researchgate.net/publication/263966714

Tynjälä, P. (2008). Perspectives into learning at the workplace. Educational Research Review, 3(2), 130-154. https://doi.org/10.1016/j.edurev.2007.12.001

Van Dalen, H. P., Henkens, K., & Schippers, J. (2010). Productivity of older workers: Perceptions of employers and employees. Population and development review, 36(2), 309-330. https://doi.org/10.1111/j.1728-4457.2010.00331.x

Downloads

Publicado

— Atualizado em 07/07/2026

Versões

Declaração de Disponibilidade de Dados

Declaro que nenhum conjunto de dados foi gerado ou analisado neste estudo.

Como Citar

Oliveira, A., Silva , I. B. ., Anjos, T., Matheus , V. R. ., & Hanashiro, D. M. (2026). O Etarismo e as experiências de jovens trabalhadores sobre o conteúdo e a forma do aprendizado com seus gestores. READS – Scientific Initiation Journal in Business Administration , 1(2), 1-17. https://doi.org/10.67144/READS.v1.n2.2026.8xr1nk43